sábado, 24 de maio de 2008

O fazer docente na área de Estudos Sociais

O FAZER DOCENTE NA ÁREA DE ESTUDOS SOCIAIS
Particularmente sempre gostei desta disciplina desde os primeiros anos da minha vida escolar. O interesse em conhecer sobre outros lugares, seus aspectos históricos, culturais, humanos, geográficos me ir em busca de conhecimento através dos livros, revistas, programas de TV. É algo que sempre me fascinou. Faz parte de mim, de minhas preferências e aptidões. No entanto este interesse nato, por assim dizer, foi alimentado em boa parte pelos meus pais que costumavam ler à respeito, responder às minhas perguntas,contavam seus saberes. Minha mãe, por exemplo, tinha um livro antigo de Estudos Sociais e cedo me ensinou as capitais dos estados brasileiros. Ela me falava sobre as mudanças no mapa . Como passeávamos bastante, tínhamos parentes em outras cidades do RS e em outros estados, ficava fácil para mim entender sobre distâncias, posição geográfica, diferença entre bairro, cidade, estado, etc. Algo difícil de ser entendido por boa parte dos alunos de hoje, pelo menos na clientela com ao qual trabalho.
Meu pai que viveu os chamados anos de chumbo,foi líder em greves trabalhistas, tinha idéias comunistas, lia livros à respeito. Como os jovens da época alimentava o sonho de justiça e igualdade social.Tudo isso ele contava para mim e minha irmã. Tanto ele quanto minha mãe nos contavam sobre épocas passadas, estabelecendo comparações e apontando aspectos positivos e negativos.
Relatei estes fatos da minha vida pessoal para ressaltar que ao chegar na escola, já estava familiarizada com a disciplina o que facilitou sua compreensão. Lendo à respeito, tracei um paralelo com minha vida escolar pois com está escrito no texto, me sentia sujeito atuante de minha aprendizagem e do processo histórico ao qual pertencia.
Entretanto, durante minha vida escolar, a metodologia se resumia em uma repetição mecânica de informações e não a construção de conhecimentos. Não havia preocupação em instrumentalizar os alunos para compreensão e posicionamento diante da complexidade contida em Estudos Sociais e tampouco a integração com outras áreas do conhecimento. O ensino de Estudos Sociais limitou-se a trabalhar as especificidades da áreas de forma abstrata , sem apoiar-se em documentos, depoimentos. Por exemplo: não me lembro de visitar museus, apreciar fotos, entrevistar pessoas, ter acesso a revistas do gênero. Tudo girava em torno do livro didático e explicação da professora, que por vezes acrescentava algo a mais no texto lido.Mas não explorava o assunto .No último ano do 2º grau geografia não fazia parte da grade curricular.Esta matérias sempre tiveram peso menor em relação a disciplinas como Português e Matemática.
Esta constatação se contrapõe a reforma educacional proposta à partir de 1971, quando o objetivo traçado para esta área do conhecimento era a integração espaçotemporal dos educando para compreensão da realidade e o ajustamento ao meio social.
Já que fomos ensinados desta forma sem questionamentos, ao iniciar me trabalho como docente acabei repetindo comportamentos, metodologias e repetindo as mesmas ações.
Digo isso baseado nos primeiros de magistério.Trabalhei de forma bastante tradicional, executando conteúdos previamente estabelecidos, planejados para a referida série. No entanto, fui percebendo que os alunos não demonstravam interesse, não estudavam em casa e o que eu falava parecia extremamente distante deles e portanto trazendo total incompreensão. Datas históricas não eram memorizadas. Associei este fato a vivência dos alunos. Diferentes de mim eles não eram incentivados, não tinham fontes que os fizesse estabelecer alguma relação significativa. Cidadania, participação e intervenção crítica não acompanhava meus alunos e suas famílias. E continua assim. É uma questão cultural. Não possuem uma referência. Além do mais estão acostumados a receber tudo, a terem suas necessidades principais atendidas, mesmo que de forma precária, graças ao assistencialismo que domina as esferas da política brasileira.Contentam-se com o pouco. Não sentem-se parte integrante da sociedade, portanto se eximem de qualquer compromisso, de qualquer responsabilidade. Só existe o mundo em que vivem.
Então enfrentei um dilema: como passar o conteúdo de forma que os alunos assumam outra postura? Sintam-se atuantes, reconheçam-se dentro de determinado contexto histórico ou geográfico? Reconhecerem também a sua parcela de responsabilidade dentro da sociedade na qual estão inseridos? E que todos, desde os primórdios somos os construtores desta história?
Visto que nos primeiros anos de magistério, grande parte dos alunos vindos de municípios da Região Norte do estado e da divisa com a Argentina comecei a usar esta vivência e relaciona ao conteúdo. A maioria vinha da zona rural, aproveitei suas experiências, fazia entrevistas sobre os afazeres da família, como era a cidade e assim por diante. Percebi o quanto os saberes dos alunos é enriquecedor, o quanto eles tem a mostrar. Passei a elaborar a minha metodologia de trabalho baseado na bagagem trazida pelos alunos, nos seus referenciais. Este passou a ser o ponto de partida. As aulas tomaram outro rumo.Ao ler o parágrafo do texto que menciona os processos migratórios no RS, as sugestões de introdução do conteúdo, é como se tivesse vendo a minha aula descrita ali. Afinal fiz investigações, localizamos cidades de origem no mapa e a distância de Novo Hamburgo, construímos linhas de tempo...
Lembro de certas atividades que foram marcantes. Certa vez fiz um passeio por Novo Hamburgo com meus alunos de 3ª série. Pedi que observassem bem todos os lugares visitados. Nas aulas posteriores trabalhei o mapa da cidade, destacando os principais lugares visitados e o bairro no qual se localizavam. Levei fotos para que os alunos reconhecessem os locais. Perceberam as distâncias entre o bairro que moravam e os demais, a distância em relação ao centro.Depois daquele trabalho tive certeza de que os alunos tinham compreendido o que significava um mapa. Há quatro anos atrás quando trabalhava a Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, fizemos um passeio no Martim Pescador. Ao passar pelo Arroio Cerquinha, logo os alunos disseram: “professora, aquele é um afluente não é?” Cheios de certeza.Visualizando a informação passada em sala de aula, torna-se significativo. Poderia aqui citar várias outras atividades que deram certo. Mas creio que estas ilustram as mudanças na minha prática pedagógica. É claro que nem sempre consigo atingir meus objetivos, ainda me pego caindo no tradicional. Mas creio que mesmo dentro de uma metodologia com esta característica, se bem conduzido, pode contribuir para a aprendizagem.
É portanto imprescindível, agregar ao planejamento, a construção que se fez com os alunos, as hipóteses por eles levantadas, suas conclusões, definições, experiências, enfim tudo que for pertinente ao aluno. Á partir daí, temáticas que envolvam o cotidiano do aluno são mais ricas e oferecem maiores possibilidades, denotam um compromisso político com situações que outrora foram omitidas pela escola.
Considerar o aprender singular de cada aluno, seus saberes, compreender seu pensamento e partindo deste pressuposto, construir um currículo relevante que alcançará o objetivo em que a área de Estudos Sociais se propõe. Transformar situações pela atuação cidadã dos alunos.

relatório módulo 1 ciências

RELATÓRIO DO MÓDULO 1
FLÁVIA DE SOUZA
POLO DE SÃO LEOPOLDO
DIA 20 DE ABRIL DE 2008
Os textos lidos vem desmistificar conceitos que tínhamos pré-estabelecidos à cerca dos conhecimentos científicos.
Tomamos as informações como verdades absolutas e as repassamos aos alunos.Não somos levados a analisar tais informações. Tal afirmação basea-se no fato de não percebermos a gama de preconceitos que está nas entrelinhas. Não paramos para pensar,questionar. As informações científicas são passadas conforme os padrões sociais. A dominação masculina, dos povos ditos civilizados, do ser humano sem vínculo com a natureza, capaz de construir o que lhe proporcionará conforto sem que haja interferência da natureza.
Antes de qualquer coisa é necessário a escola reconhecer os saberes dos alunos. À partir daí problematizar este conhecimento e integrá-la as novas informações e conteúdos.
Atividades como a que realizamos podem servir como caminho inicial para desenvolvimento de conteúdos. Afinal em uma atividade como esta, através do que o aluno nos mostrar é possível questiona-los sobre o porquê de ter feito tal representação.Relatar seus saberes. E então levar o aluno em busca, através de pesquisa, a ampliar, acrescentar e comparar o seu saber com o que está nas fontes de pesquisa. Sempre o caminho para uma aprendizagem significativa será, levar em conta o saber prévio do aluno.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

seminário integrador

Gostaria de destacar aqui o bonito trabalho que meus alunos do grupo de teatro fizeram na nossa Feira Multicultural. A apresentação da peça "O segredo da amizade" foi emocionante. Os pais ficaram orgulhosos de seus filhos e vieram conversar comigo. Notei que estavam surpresos com a desembaraço dos seus filhos, bem como a seriedade do trabalho. Creio que antes pensavam na aula de teatro como passatempo. Mas agora viram que há um objetivo por trás. A apresentação foi na sexta-feira à noite. Como no mesmo dia foi feita a inauguração oficial da sala de informática, na platéia estava o prefeito da cidade. As crianças ao saber da presença dele, ficaram ansiosas e um pouco inseguras. Conversei com eles e disse que era um motivo a mais para eles se superarem e mostrarem o que sabiam. Não deu outra: Ao subirem ao palco mostraram desenvoltura, segurança, domínio do texto. Fiquei muito feliz. Além do mais tive que de última hora substituir um aluno. Pela manhã amãe veio me falar que iriam viajar. Imagina meu stress. Mas a menina que o substituiu fez bonito, superou a falta de ensaios. Fiz questão de ao final da apresentação, destacá-la perante o público. Esta crianças tem um grande potencial.
Na 3ª feira fizemos uma reapresentação. E mais uma surpresa: uma das alunas que faz um dos papéis principais, torceu o pé mas mesmo com dor, fez questão de apresentar-se. Parecia uma pessoa adulta,colocando a responsabilidade acima das dificuldade. Para uma menina de 1o anos ter esta maturidade! Faço esta colocações porque muitas vezes enfatizamos os erros dos alunos suas dificuldades e quando acertam não fazemos o mesmo. É como se fosse obrigatório sempre acertarem. Acho que eu poderia colocar este fato como uma evidência para meu plano de estudos. Já que trabalho na biblioteca, decidi elaborar o plano baseado no trabalho que desenvolvo e tomei as minhas aprendizagens no semestre anterior (teatro, literatura e música) como instrumento para elaboração do mesmo.

TICS

Quando iniciamos esta disciplina fiquei aprensiva em relação ao que teríamos pela frente. mas as temáticas foram sendo desenvolvidas, percebi que não é algo tão complicado assim. O segredo está na prática constante de seus recursos. Como não tenho ainda esta vivência, para mim é difícil assimilar tantas aprendizagens em pouco tempo. Gradativamente vou adquirindo domínio sobre estes recursos. Por exemplo: entrar no pbwiki, fazer link para o webfólio, colar do word para rooda, fazer postagens no blog já não é mais tão complicado. Na maioria das vezes consigo me resolver sozinha. Eu tenho é que ter mais paciência comigo mesmo, pois quando não consigo fazer algo, logo fico ansiosa e insegura. Já vejo os efeitos positivos desta interdisciplina quando vou para a sala de informática na minha escola e já consigo passar para minhas alunas algumas informações sobre o uso do computador. Comento com as meninas que estou tendo aulas e de informática e que por isso estou aprendendo junto com elas. Já estou pensando em fazer um blog da escola e do meu grupo da minha biblioteca. Q uando conseguir publicarei aqui.

TICS

MATEMÁTICA

Neste curso as duas coisas que mais me chamam a atenção são as constantes referências a valorização das experiências dos alunos e a interdisciplinaridade.Todo o embasamento teórico que estamos tendo está contribuindo para reformularmos nossa prática pedagógica ou confirmar idéias e ações que já estamos fazendo em função da nossa experiência docente.
Ao ler a matéria da revista Nova Escola, sugerida na atividade sobre espaço e forma, a professora entrevistada relata uma atividade com caixas para representar as dimensões de bairro, cidade, estado, país. Quando tinha 4ª série fazia deste um dos recursos para explicar tal contéudo. Porém nunca imaginaria ver esta atividade como sendo matemática. Refletindo depois sobre reportagem é que me dei conta que este assunto interliga duas disciplinas. Às vezes nossa preocupamos em elaborar uma aula de modo que ocorra a interdicisciplinaridade. Só que em muitos momentos fica algo forçado e acaba não atingindo o seu objetivo. Com este exemplo percebemos que o interessante é quando esta ligação entre disciplinas acontece naturalmente.

Plano de estudos

PLANO DE ESTUDOS
BIBLIOTECA
OBJETIVO GERAL
Tornar a biblioteca um local atrativo, através do qual o aluno a descubra como espaço de aprendizagem, de entreterimento, de manifestação cultural e de expressão oral, escrita e corporal.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS E ESTRATÉGIAS
Despertar o gosto pela leitura partindo inicialmente das preferências dos alunos.
Proporcionar o conhecimento de diversas histórias através da HORA DO CONTO.
Conhecer os principais autores infantis através da narração das mesmas pela professora.
Auxiliar no desenvolvimento da leitura e escrita por meio da distribuição de livros, revistas, fichas de leitura.
Desenvolver a expressão oral através das opiniões manifestadas à respeito da história apresentada.
Desenvolver a expressão corporal através de dramatizações de determinadas histórias narradas pela professora ou escolhidas pelos alunos.
Conhecer aspectos da cultura brasileira através de lendas, contos folclóricos e coleções.
Reconhecer a importância do livro para o desenvolvimento intelectual e cultural por meio das atividades desenvolvidas para cada objetivo proposto acima.
RECURSOS HUMANOS
A professora bibliotecária, professora do laboratório de informática, contadores de histórias e autores presentes.
RECURSOS MATERIAIS
Livros, revistas, Internet, fantasias, materiais que auxiliam a contação de histórias (como fantoches, desenhos, painéis...) , cds, vídeos, fichas de leitura, coleções.
DESENVOLVIMENTO
Durante as horas do conto que acontecem uma vez por semana com cada turma pelo período de 1 hora e 10 minutos.
Na Feira Multicultural
Semana do Folclore
Semana Literária
Feira do Livro
ABRANGÊNCIA
JN 5 a 4ª série ( 8 anos)
EVIDÊNCIAS
Considera-se como evidências o retorno que os alunos darão ao trabalho desenvolvido. Retorno este que será verificado na participação do aluno durante as aulas, no interesse e motivação demonstrados, no crescimento que demonstrarem nos demais aspectos curriculares através de pareceres das professoras das respectivas turmas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando faço referência aos contadores de histórias e autores presentes no que se refere aos recursos humanos, cito as vezes em que tivemos sua presença em nossa escola, quando dos eventos por nós organizados. Sempre que realizamos algum evento contamos com a presença de Jane Michels, professora aposentada do município, e que trabalha com contação de histórias e também já lançou livros infantis. No ano passado tivemos a presença de outro autor da região, Alex Riegel, que dramatizou seu livro Adeus Sarita. Neste mesmo ano levei meus alunos que trabalham comigo na biblioteca à Feira do Livro do município. Lá tiveram oportunidade de participar de uma conversa com o renomado autor infantil Júlio Emílio Braz. Com certeza foram momentos que contribuíram para a formação dos pequenos. Para eles conhecer um dos autores das várias histórias narradas durante a hora do conto foi algo marcante.